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De 09 a 13 de novembro de 2015, o Arquivo em Cartaz – Festival Internacional de Cinema de Arquivo movimentou o Rio de Janeiro apresentando o melhor do cinema de arquivo e consolidou-se como espaço de reflexão e discussão da história e importância da preservação da cinematografia.

 “A parceria com o Arquivo Nacional para a promoção do Arquivo em Cartaz ampliou as possibilidades de colocar em debate questões cruciais sobre a pesquisa, o acesso e a preservação audiovisual. O evento inaugurou uma nova frente de difusão do patrimônio audiovisual no Rio, iniciativa que aproxima a nossa história de públicos diversificados, promove a memória e identidade sociocultural do Brasil”, ressalta a diretora da Universo Produção, Raquel Hallak.

 O Arquivo em Cartaz tem como objetivo central difundir e ampliar o uso e a importância dos acervos fílmicos, contribuindo, assim, para a conservação e difusão do audiovisual como ferramenta para a preservação e construção da memória nacional. O evento foi marcado pela realização de sete mostras temáticas: Mostra Rio em Movimento, Mostra Competitiva Cinema de Arquivo, Mostra Acervos, Mostra Homenagem, Mostra Arquivo Faz Escola, Mostra Arquivos do Amanhã e Mostra Oficina Lanterna Mágica, cada uma delas com um conceito próprio. No total, foram exibidos 52 filmes, entre longas, médias e curtas nacionais e estrangeiros, em 27 sessões gratuitas de cinema. Integraram ainda a programação pré-estreias e retrospectivas, exposições, oficinas e debates.

 Foram dois os homenageados do evento: a atriz, produtora e diretora Carmen Santos e o escritor, pesquisador e diretor Jurandyr Noronha - personalidades relevantes do cinema brasileiro, cujas trajetórias foram evidenciadas em debates e com a exibição de suas obras. A curadoria do Arquivo em Cartaz foi feita pelos servidores do Arquivo Nacional, Antonio Laurindo e colaboração de Mariana Lambert. Toda a seleção de filmes foi pensada com o objetivo de proporcionar a análise, a reflexão, o debate e a formação do público.

 Para Jaime Antunes da Silva, diretor geral do Arquivo Nacional, esta primeira edição foi extremamente bem-sucedida. “A proposta do Arquivo em Cartaz é que a cada ano o número de pessoas atraídas por este evento seja ampliado e que estas passem a apreciar a história do cinema, o olhar estético de diversos cineastas e que estes registros sirvam como elemento educativo nas escolas e universidades. Com isso, certamente ganharão os arquivos e a percepção da sociedade sobre a necessidade de que registros dessa natureza sejam preservados pelo poder público, com o apoio da iniciativa privada, pois são fundamentais para a história brasileira”.

 PREMIAÇÃO
O encerramento da primeira edição do Arquivo em Cartaz aconteceu no Cine-Pátio – Arquivo Nacional, com o anúncio e premiação dos filmes vencedores na Mostra Oficina Lanterna Mágica e Mostra Competitiva. Foram 20 concorrentes, entre longas, médias e curtas nacionais e estrangeiros. As produções foram agraciadas com o Prêmio Batoque, que leva o nome do artefato em torno do qual a película é enrolada, seu núcleo, que lhe confere forma e sustentação. O prêmio simboliza, assim, a preservação de filmes, razão primeira do festival.

O Júri Oficial contou com a participação da cineasta e atriz Ana Maria Magalhães, de Luciana Savaget, escritora, jornalista e editora do Arquivo N da Globo News, além de João Luiz Vieira, professor titular do Departamento de Cinema e Vídeo e membro do corpo colaborador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFF.

Foto: Leo Lara/Universo Produção

Os média-metragens Tropicália, dirigido por Marcelo Machado, e Nitrate Flames, de Mirko Stopar, uma coprodução Noruega e Argentina, foram os grandes vencedores da primeira edição do Arquivo em Cartaz. Cada um levou três Troféus Batoques, respectivamente, nas categorias Melhor direção, Melhor edição de imagem e Melhor pesquisa e Melhor filme de média-metragem, Melhor roteiro e Melhor utilização de material de arquivo. Os anúncios foram feitos durante o encerramento do evento, no dia 13 de novembro.

Elena, documentário de Petra Costa, também se sagrou na categoria Melhor filme de longa-metragem e Boa Morte, de Débora de Oliveira, foi escolhido como o Melhor filme de curta-metragem. Eu vi, de Fábio Eitelberg, Patrick Torres e Pedro Biava, recebeu menção honrosa do júri oficial. Já o júri popular elegeu Joel e Gianni, de Maria Rita Nepomuceno, como o melhor filme.

A Mostra Lanterna Mágica teve a participação de sete curtas, produzidos durante a tradicional oficina de mesmo nome, que este ano foi ministrada pelo cineasta Joel Pizzini. O trabalho resultou em curtas, dos quais cinco concorreram ao Troféu Batoque em três categorias. Sincronecidades, de Maria Byington, ficou com o primeiro lugar na categoria Melhor uso de imagem de arquivo. Testemunha ocular da história, de José Carlos Faria, Matheus Topine e Telma Barros, levou o prêmio nas categorias Melhor filme pelo júri oficial e Melhor filme pelo júri popular.